PELE
01 · PROCESSO
Há mais ou menos um ano atrás decidi criar um concerto a solo. Nunca o tinha feito. Queria utilizar os dois instrumentos que me são mais próximos, a guitarra eléctrica e o computador. Procurei ferramentas que fui desenvolvendo ao longo dos anos em Max — ferramentas que construí para outros contextos, outras músicas, outras necessidades. E comecei a experimentar. Não com um objectivo definido, mas com a curiosidade de quem abre uma caixa que esteve fechada tempo de mais. Algumas dessas ferramentas funcionaram de formas que não esperava. Outras obrigaram-me a construir coisas novas.
O que ficou é um concerto autobiográfico — não no sentido de uma narrativa pessoal explícita, mas no sentido em que tudo o que está ali reflete momentos particulares da minha vida. A guitarra eléctrica, a electrónica em tempo real, as decisões que acontecem no momento. Não sei bem o que é. Sei que é meu.
02 · FRAGMENTO

Antes da Chuva Sopra o Vento, com Fernando Mota e Carlota Fairfield Oliveira. Na próxima semana voltamos à estrada.
03 · ALIMENTO
No Natal passado comecei a mostrar os filmes do Star Wars ao meu filho, que rapidamente se tornou a nossa banda sonora de eleição no carro. Não como música de fundo — estamos mesmo a ouvir. A analisar. A perceber como os temas regressam transformados, como a orquestra conta a história antes de qualquer imagem. Eu já conhecia esta música. Mas ouvi-la assim, com ele, é diferente. Estou a mostrar-lhe como se presta atenção. E ele está a mostrar-me qualquer coisa também — ainda não sei bem o quê.
04 · AGENDA
mais informações em linktr.ee/josegrossinho
8-9 Mai
Antes da Chuva Sopra o Vento
Vila Real
12-13 Jun
Até ao Fim do Mundo estreia
Castelo Branco
18 Jun
Sursum Corda
Fundão
28 Jun
Sursum Corda
Cascais
2 Jul
Sursum Corda
Lisboa
EN · A NOTE IN ENGLISH
FOR THE ENGLISH-SPEAKING READER
This month I've been thinking about PELE, my first solo concert — for electric guitar and live electronics. It started as an experiment with tools I'd built over the years, for other contexts, other music. What came out surprised me. It's autobiographical, in a way — not as explicit narrative, but as a reflection of particular moments in my life. I'm still not sure exactly what it is. But I know it's mine.
Last Christmas I started showing my son the Star Wars films. It quickly became our soundtrack of choice in the car. We don't just listen — we analyse. How the themes return transformed, how the orchestra tells the story before any image appears. I already knew this music. But hearing it like this, with him, is different. I'm showing him how to pay attention. And he's showing me something too — I'm not quite sure what yet.

