A liberdade de não justificar
01 · PROCESSO
Estou a compor música para um filme. Chama-se Montanhas Efémeras, é do Mário Melo Costa, com texto da Joana Bértholo. Estreia a 13 de Junho em Castelo Branco e faz parte do projecto Até ao Fim do Mundo.
O que me está a surpreender é a liberdade. A liberdade de criar paisagens sonoras que não precisam de justificar uma imagem, mas constroem uma narrativa paralela, complementar. É bastante diferente de compor para o palco — e estou a gostar muito.
O texto da Joana fala de tempo profundo, de montanhas que um dia foram o fundo do mar, de tudo o que se eleva e acabará por descer. Chega-me filtrado pelas imagens do Mário, pelas paisagens que ele filma. Estou a compor para esse encontro entre os três.
02 · FRAGMENTO

Guiné-Bissau, 2017. Durante seis semanas percorremos as nove regiões do país a recolher música tradicional infantil. Estas estradas ficaram dentro de mim. Um mundo novo.
03 · ALIMENTO
Tenho ouvido muito a banda sonora do Cinema Paradiso. Não sei se é por estar a compor para um filme — provavelmente é. É um dos meus filmes favoritos, e a música do Ennio Morricone tem qualquer coisa que me perturba sempre que a ouço: a forma como não ilustra as imagens, como existe por si própria e ao mesmo tempo faz parte de tudo.
04 · AGENDA
mais informações em linktr.ee/josegrossinho
13 Jun
Montanhas Efémeras estreia
Castelo Branco
18 Jun
Sursum Corda
Fundão
28 Jun
Sursum Corda
Cascais
2 Jul
Sursum Corda
Lisboa
EN · A NOTE IN ENGLISH
FOR THE ENGLISH-SPEAKING READER
I'm composing music for a film. It's called Montanhas Efémeras — Ephemeral Mountains — directed by Mário Melo Costa, with text by Joana Bértholo. It premieres on June 13th in Castelo Branco, as part of the project Até ao Fim do Mundo. What's surprising me is the freedom — to create sound landscapes that don't need to justify an image, but build a parallel narrative alongside it. It's quite different from composing for the stage. And I'm enjoying it very much.
I've also been listening a lot to the Cinema Paradiso soundtrack. I'm not sure if it's because I'm composing for a film — probably it is. It's one of my favourite films, and there's something in Ennio Morricone's music that unsettles me every time: the way it doesn't illustrate the images, the way it exists on its own and at the same time is part of everything.

